Interestelar: Um filme de ficção científica longe da ficção!

Se você é fã de filmes científicos com certeza já assistiu ao atual filme Interestelar. Se não assistiu, assista e volte aqui depois, pois o post contém alto conteúdo “spoilártico” sobre o filme.

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Interestelar é um filme de ficção científica de Christopher Nolan e o físico Kip Thorne foi uma das inspirações de Nolan para manter a parte científica do filme fiel. Ou seja, a ciência real, de teorias e especulações foi preservada no filme.

Bom de agora em diante, se você matou as aulas de física do colegial, sinto em dizer que você vai precisar delas para entender o filme, senão você vai achar o filme super suck! Quem realmente entendeu as ideias do filme, achou ele simplesmente fantástico (sou suspeita). Mas calma, nem tudo está perdido. Logo abaixo, segue um dicionário que irá explicar termos que foram usados durante o filme.

Dicionário para o filme Interestelar

Inércia: Você deve estar pensando “haja combustível pra viajar tão longe no espaço”. Isso é possível graças ao princípio da inércia. A nave gasta uma parte do seu combustível durante seu lançamento e, após chegar ao espaço ela permanece com a velocidade constante, pois no espaço não há nenhuma força que atue para alterar essa velocidade. Resumindo: “Na ausência de forças, um corpo em repouso continua em repouso e um corpo em movimento move-se em linha reta mantendo a mesma velocidade”.

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Lei da Inércia. Fonte: http://www.exatas.net/dinamica_leisdenewton.htm

Gravidade Artificial: Cooper e os demais astronautas embarcam em uma nave na qual permanecem pelo menos dois anos até a chegada em Saturno. Como todos sabem, no espaço não há gravidade, e é aí jovens padawans que mora o perigo. Isso porque quando nosso corpo está localizado em um ambiente com gravidade zero, o mesmo sofre de atrofia muscular e perda óssea. No filme para esse problema não acontecer e os astronautas viajarem pelo espaço e completarem sua missão, eles embarcam em uma espaçonave denominada Endurance, que tem um design de doze módulos em volta de um módulo central (onde o pessoal fica suave na nave, literalmente!). A ideia é que esses módulos girem em torno do módulo central e, consequentemente, gera-se uma força gravitacional nas “beiradas”, fazendo com que os astronautas fiquem “grudados” no chão, como se estivessem na Terra. Isso seria nada mais nada a menos do que uma força centrífuga atuando sobre eles.

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Nave Espacial Endurance

Buraco de Minhoca: Após esses anos de viagem, os personagens chegam até Saturno com o objetivo de “pegar um atalho” no espaço e chegarem mais rápido até o planeta de Miller. Para isso, o filme usa a teoria do “Buraco de Minhoca” (wormhole). Não há nada ainda que comprove a existência de um buraco de minhoca, mas também não há nada que o negue. Essa teoria foi criada pelo nosso paizinho da relatividade, o físico Albert Einstein em conjunto com outro físico Nathan Rosen e ela tem por origem nossa querida relatividade, onde toda massa “curva” o espaço-tempo. Trata-se da conexão entre dois pontos distintos no espaço-tempo ligados por um “tubo” reto ou enrolado, que diminuem o tempo de viagem de um ponto para o outro. Além disso, cogita-se que no fim de um buraco de minhoca existe um buraco negro. De acordo com a relatividade, os buracos de minhoca de fato existem, mas infelizmente nehum ainda foi descoberto #chatiada.

Fonte: https://cienciasetecnologia.com/buraco-de-minhoca/

Buraco de Minhoca. Fonte: https://cienciasetecnologia.com/buraco-de-minhoca/

Dilatação Gravitacional Temporal: “Há uma luz no fim do túnel”. Após atravessarem o buraco de minhoca a galerê chega até o planeta de Miller para coletar as informações dele, mas logo do lado tinha uma bilada Cino. Um buraco negro rotacional denominado como Gargântua. Com isso, cada hora na superfície do planeta de Miller era equivalente a sete anos na Terra, ou seja, uma dilatação gravitacional temporal. A gravidade era tão pesada que Amelia, Cooper e Doyle custaram a andar sobre a superfície do oceano raso, sem contar as ondas gigantescas formadas devido a essa gravidade. Depois de conseguirem os dados de Miller, Amelia e Cooper retornam a Edurance (Doyle is dead) e, descobrem que se passaram 23 anos anos. Essa diferença fica nítida ao mostrar Romilly bem mais velho (O.M.G!), além dos vídeos de Murphy para Cooper, no qual ela já está adulta e se torna cientista da NASA, com o intuito de desvendar a equação de Brandt para enviar a estação espacial para o espaço utilizando a gravidade. Mas prestes a morrer, Brandt confessa a Cooper que a equação não leva a lugar nenhum e que o plano de levar óvulos fertilizados na nave espacial para povoar a espécie humana em outro ponto do espaço deveria ser usado. Porém Murphy consegue concluir a equação, descobrindo que para que a estação fosse enviada para o espaço era necessário conhecer as informações da singularidade de um buraco negro.

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Cena em que Cooper e Amelia andam sobre o oceano raso do plano de Miller onde a cada uma hora, sete anos se passavam na Terra.

Velocidade de Escape: Enquanto isso, a novela mexicana do espaço continua. Praticamente sem combustível, Cooper desacopla sua nave auxiliar da Endurance e cái no buraco negro para que Amelia pudesse chegar ao planeta do seu amor Edmunds. Lembrando que ao fazer isso Cooper diz uma frase puramente científica utilizando a 3ª Lei de Newton: “A Terceira Lei de Newton. A única forma dos homens chegarem a algum lugar é deixando algo para trás.”Aí eu pergunto pro Cooper: What’s wrong with you? Mas, afinal de contas, o que passava na cabeça de Cooper ao fazer isso? Muito simples #sóquenão, Amelia e Cooper se aproximaram do buraco negro para que a Endurance sofresse um “efeito estilingue”, no qual após se aproximarem do buraco negro, a nave tivesse uma velocidade de escape suficiente para escapar do buraco negro e a Inércia fizesse todo o resto por eles (S2 Inércia). Mas para que isso acontecesse, era preciso que Cooper ficasse para trás e acabasse sendo engolido por Gargântua. Resumindo, a velocidade de escape é a velocidade mínima necessária para se escapar de determinado campo gravitacional.

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Em um buraco negro a velocidade de escape ultrapassa a velocidade da luz.

Horizonte de Eventos:  Ao desacoplar da Endurance nosso herói Cooper é puxado pelo buraco negro rotacional, e atravessa seu horizonte de eventos, que nada mais é que a divisa teórica ao redor de um buraco negro onde nem mesmo a luz escapa, devido a velocidade da mesma ser menor que a velocidade de escape do buraco negro.

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Horizonte de Eventos e Singularidade. Fonte: http://falandodefisica-motta.blogspot.com.br/2015/03/buracos-negros-via-universo-astronomico.html

Buraco Negro Rotacional: That’s it! Cooper entra em um buraco negro rotacional. Um buraco negro em rotação é gerado geralmente pela explosão de uma estrela massiva em rotação (obviamente!). Ainda não se sabe ao certo o que acontece quando algo ultrapassa o horizonte de eventos de um buraco negro, existem várias teorias a respeito, como a “espaguetificação” da matéria, a perda de informação, a informação espelhada e até mesmo a viagem no tempo. No caso do filme, foi explorado a teoria da informação espelhada. Será que nosso truta Lavoisier estava certo ao dizer que: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!” ?

Curiosidade: O buraco negro Gargântua do filme é atualmente o escopo mais realista de um buraco negro. Os efeitos visuais do filme, baseiam-se em equações matemáticas reais.

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Buraco negro rotacional Gargântua

Singularidade de um buraco negro: A singularidade é o coração de um buraco negro, onde se concentra toda sua massa, que é coberta por um horizonte de eventos. Toda matéria próxima ao buraco negro é sugada até sua singularidade. O maior mistério é saber o que existe nessa singularidade e, Cooper dá spoilers sobre essa singularidade para TARS.

TARS coleta essas informações e por meio de radiação temporal, faz com que esses dados sejam enviados para Murphy, que entende que o fantasma de seu quarto, era seu próprio pai (Whaaat?). Ela compreende que diferente do que pensava, o pai não havia a abandonado, e que ele tentava era comunicar-se com ela por dimensão temporal. Com isso, ela soluciona a Equação de Brandt e leva a galerê pro espaço pela estação espacial e todos vivem felizes para sempre!

É isso aí galera, espero que tenham curtido o post especial de hoje sobre esse filme fantástico. Pra fechar o post com chave de ouro, segue o link do Nerdologia sobre a física de Interestelar.

Fontes:

Sobre buracos de minhoca: UOL – Buracos de minhocaColegio Web – Buracos de minhoca

Sobre o filme Interestelar: Scicast – A ciência de InterestelarUOL – Verdades e mitos sobre InterestelarEternos aprendizes – A ciência de Interestelar

Buraco negro e buraco branco: UOL – Buraco negro e buraco branco

Kip Thorne sobre o filme: Revista GalileuAstropt

Fonte mais indicada do post: http://www.wired.com/2014/10/astrophysics-interstellar-black-hole/

 

 

  • http://drfranca.com.br/ Daniel França

    Sagan ia curtir demais um blockbuster abordando tantas teorias.

    • Alessandra Santos

      E você ía continuar sem piscar jovem! haha

  • Richard Moraes

    que texto magnifico =D